The-Indus-Valley-Civilization77

As Eras

1 – Era Pré Védica – ( 6500-4500 a.C.): – Escavações arqueológicas realizadas no Beluquistão Oriental ( Paquistão) trouxeram à luz, uma cidade de meados do sétimo milênio a.C. Esta antiga cidade neolítica chamada de Mehrgarh pelos arqueólogos, prefigurou de diversas maneiras a civilização urbana que depois se constituiu ao longo dos dois grandes rios da Índia norte-ocidental: O Indo e, a leste dele, o Sarasvati, agora já seco. Estima-se que a população de Mehrgarh fosse de cerca de 20.000 de pessoas. Além de ter sido um grande centro de importção e exportação de mercadorias, a cidade parece também um centro de criação e inovação tecnológica. Além de ter sido um grande centro de importação e exportação de mercadorias, a cidade foi também um centro de criação tecnológica. Já cultivavam o algodão em primórdios do Vº Milênio a.C. e já produziamgrandes quantidades de objetos cerâmicos no IVº Milênio a.C. Estatuetas de terracota datadas de 2600 a.C. dão mostras estilpisticas da arte da civilização do Indo-Sarasvati e também do Hinduismo posterior.

2- Era Védica ( 4500 – 2500 a.C ): – Este período se define pela criação e pela proeminência cultural da tradição de sabedoria que consubstanciou-se nos hinos dos quartro Vedas. Referências astronômicas que constam no Rig-Veda  dão a entender que a maior parte dos hinos foi composta no IVº Milênio a.C. O máximo limite porterior do período védico é determinada por uma grande catástrofe natural: o completo esgotamento do rio Sarasvati, determinado por modificações climáticas e tectônicas ocorridas no decurso de várias centenas de anos. Presume-se que, por volta do ano 3100 a.C. o rio Yamuna mudou de curso e deixou de verter suas águas no rio Sarasvati; tornou-se em vez disto tributário do rio Ganges.

3- Era Brahmânica ( 2500 – 1500 a.C ): – Com os assentamentos às margens do Indo e doSarasvati o centro da civilização védica deslocou-se para o leste, para as margens do Rio Ganges ( Ganga ). Com isso houveram mudanças no sistema social. Neste período a classe sacerdotal transformou-se numa elite profissional, altamente especializada que logo dominou a cultura e a religião védicas. As especulações teológico-mitológicas e os rituais dos sacerdotes consubstanciaram-se na literatura dos Brahmanas, que dá nome a este período. Os últimos séculos desta era assistiram à redação dos  Aranyakas (textos rituas dos ascetas das florestas) e dos muitossutras que tratam das ciências, das artes e das questões éticas e jurídicas.

4- Era Pós-Védica ( 1500 – 1000 a.C. ): – Com o surgimento das primeiras Upanishads, entramos em um novo período cultural. As Upanishds introduziram um ideal de um ritual interno –antar-yajna – associado à renúncia das coisas do mundo. Constituem o terceiro estágio da revelação védica – shruti. Não obstante, as Upanishads não se afastaram do pensamento védico, mas sim explicam e manifestam as coisas que os Vedas afirmam de maneira velada ou sintéca. A conclusão da Era Pós-Védica, coincide com o surgimento do Budismo e do Jainismo, duas tradições não Védica.

5- Era Pré-Clássica ou Épica ( 1000- 100a.C ): – Durante o quinto período desta cronologia, o pensamento metafísico ético entrou em efervescência na Índia. Atingiu um grau de complexidade que permitiu um fértil confronto entre as diversas escolas religiosas e filosóficas. Ao mesmo tempo, nesta época vemos uma tendência à integração de duas grandes correntes: samnyasa ( a renúncia ao mundo ) e o dharma ( a aceitação das obrigações sociais). Neste campo é que ocorre o desenvolvimento Pré-Clássico do Yoga e do Samkhya. O melhor exemplo deste espírito sintético e integrador da mais antiga e completa obra sobre Yoga que encontramos na Baghavad Gita ( um capítulo do Mahabharata ). Foi neste período que o Mahabharata, tal como o conhecemos, foi criado, embora seu núcleo que conta a grande guerra entre os Pândavas e os Kauravas, venha de uma época muito anterior. Devido a importância desta epopéia para este período, ele pode ser chamado de Era Épica. A epopéia do Ramayana é posterior ao Mahabharata, embora seu núcleo histórico diga respeito a uma era que antecede em quase trinta gerações a do  Mahabharata.

6 – Era Clássica ( 100 a.C. – 500 d.C ): – Durante esta era, houve uma grande batalha entre as seis escolas clássicas da filosofia hindu, os Dárshanas, pela supremacia intelectual. O Yoga-Sútra dePatañjali e o Brahma-Sútra de Bádaráyana, foram composts mais ou menos na metade desse período, cujo fim foi marcado pela composição do Sámkhya-Káriká de Ishvara Krishna. Foi nesse período também que o Budismo Maháyána se cristalizou, dando origem a um diálogo muito ativo entre os hindus e budistas. O fim da Era Clássica coincide com o declínio da Dinastia Gupta, cujo último grande governante, Skandagupta, morreu por volta de 455 d.C. Foi nesse período os Guptas, cujo reinado teve início em 320 d.C. , que  as artes e ciência floresceram extraordinariamente. Embora os reis fossem adeptos do Vaishnaismo, exerciam a tolerância para com as outras religiões. o que permitiu que o Budismo, em especial, florescesse e deixasse sua marca na cultura da Índia.

7 – Era Puránica ou Tântrica ( 500 d.C – 1300 d.C ): – Em meados do primeiro milênio d.C., ou talvez um pouco antes, testemunhamos o início da grande revolução cultural do Tantra ouTantrismo. Essa tradição representa o impressionante resultado de muitos séculos de esforço em prolda criação de uma grande síntese filosófica e espiritual a partir de diversas escolas divergentes que existiam na época. Em princípio, o Tantra pode ser considerado um integração de idéias e ideais mais elevados com as crenças e práticas populares (rurais). O Tantra apresentava-se ainda como o evangelho da Era das trevas  – Kali Yuga. Na virada do primeiro milênio d.C., as doutrinas tântricas já haviam tomado todo o subcontinente indiano, influenciando e transformando igualmente a vida espiritaul dos hindus, dos budistas e dos jainas. Por um lado, o Tantra simplesmente deu continuidade ao processo milenar de amálgama e síntese; por outro, foi uma autêncica inovação. Fomentou um estilo de vida espiritual que se contrapunha radicalmente a tudo que até então foi considerado legítimo nos contextos do Hinduismo, do Budismo e do Jainismo. Em particular, deu legitimidade filosófica ao princípio psicocósmico feminino chamado de shakti, que já era conhecido havia muito tempo nos cultos locais a divindades femininas.Esta Era pode ser também chamada de Era Puránica, pois foi nesta época que as grandes compilações chamadas Puránas foram criadas com bas e na tradições puránicas muito mias antigas (datadas da Era Védica). No seu âmago, os Puránasconstituem uma história sagrada em torno da qual se teceu uma teia de conhecimentosd filosóficos, mitológicos e rurais. Muitas dessas obras evindeciam uma influência do Tantra e contêm informações preciosas sobre o Yoga.

8- Era Sectária ( 1300.d.C.  –  1700 d.C. ): –  A redescoberta do princípio feminino da filosofia e da prática de Yoga, por parte do movimento tântrico,  abriu caminho para a fase seguinte da história cultural indiana: o movimento bháktico. Este movimento de devoção religiosa fez culminar as aspirações monoteístas das grandes comunidades sectárias, em especial o Vaishnavas e os Shaivas; daí o nome de Era Sectária. Ao incluir a dimensão emocional no processo psicoespiritual, o movimento devocional ou bhakti-marga, completou a síntese pan-indiana que tivera seu início na Era Pré-Clássica ou Épica.

9- Era Moderna ( 1700 – Época atual ):  – A efervescência provocada pelo sincretismo do movimento bháktico foi seguida pelo colapso do império mongol nno primieiro quatel do sécilo XVII e pela presença política cada vez maior das nações européias na Índia, que culminou com o ato da Rainha Vitória intitular-se imperatriz da Índia em 1880. A rainha era fascinada pela espiritualidade hindu e recebia de bom grado os yogins e outras pessoa espiritualizadas que iam visitá-la. Depois da fundação da Companhia das Índias Orientais no ano de 1600, em Londres, e da Companhia Holandeza das Índias dois anos depois, o imperialismo profano ocidental fez sentir a sua mão cada vez mais pesada sobre as antiquíssimas tradições da Índia. O resultado disto foi uma destruição progressiva do sistema de valores natural da Índia, mediante a introduçao de um sistema educacional ocidentalizado. Carl Gustav Jung vazia o seguinte comentário: “A invasão européia do Oriente foi um ato de violência em grande escala e impôs sobre nós o dever  de compreender a mentalidade oriental. Talvez isso seja mais necessário do que nos parece atualmente”. O gênio criativo da Índia, porém não se curvou a esses acontecimentos. Um promissor renascimento espiritual criou pela primeira vez na história de um missionário entre os hindus: desde que Swami Vivekananda apareceu perante o Parlamento da Religiões no ano de 1893, em Chicago, conataou-se um fluxo constante da sabedoria hindu, especialemente sob as formas do Yoga e do Vedanta, para os países da Europa e das Américas. A partir destes dados e registros, ainda fica muito difícil traçar dados acerca da volta da tradição hindu e dos seus efeitos sobre o Ocidente. As divisões de tempo aqui esboçadas não passam de uma aproximação.  Sabe-se que a cronologia da Índia é toda conjectural até o sec XIX. Os historiógrafos hindus quase nunca se dedicaram a registrar datas propriamente ditas e tendiam a fundir os fatos históricos coma mitologia, o simbolismo e as ideologias. Os estudiosos ocidentais já fizeram inúmeras observações acerca do caráter atemporal da consciência e da cultura hindu. E a partir da passagem do IIIº Milênio, muitos dados ainda terão que ser colhidos e agrupados pelos historiadores.

Fonte: A Tradição do Yoga – Georg Feuerstein

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