Bhagavad Gita

Bhagavad-Gita em sânscrito: Bhagavad Gita, “Canção do Senhor” e jóia do Mahabharata. É um texto hindu que faz parte do épico Mahabarata. Constitui os capítulos de 13 a 40 do livro sexto e compreende, no todo, 700 versículos. É o documento mais antigo do Vaishnaismo, centrado na adoração a Vishnu, na sua encarnação como Krishna. Esta tradição tem suas raízes na Era Védica, floresceu no século VI a.C. na região onde hoje é Mathura. A data da composição do Gita é desconhecida. A hipótese mais aceita é a do sec III A.C., embora alguns estudiosos situem em uma data anterior. O acadêmico indiano K. N. Upadhyana, situou a composição do Gita no período compreendido entre os séculos V e IV a.C. .O “Cántico” original, sem dúvida alguma, foi recitado por Krishna no campo de batalha de “kuru-kshetra” . O certo é que o Gita tem enorme popularidade no mundo hindu há incontáveis gerações.

O sancritista J.W.Hauer, um dos primeiros pesquisadores ocidentais do Yoga, exprimiu os sentimentos de muitos desses grandes vultos quando escreve: ” O Gita não nos oferece somente intuições profundas e válidas em todas as épocas e em todas as espécies de vida religiosa… Nele opera um espírito que pertence ao nosso próprio espírito.”  

O texto sânscrito relata o diálogo de Krishna (uma das encarnações de Vishnu) com Arjuna (seu discípulo guerreiro) em pleno campo de batalha. dos kuru-kshetra. Arjuna representa o papel de uma alma confusa sobre seu dever, e recebe iluminação diretamente do Senhor Krishna, que o instrui na ciência da auto-realização. No desenrolar do diálogo são colocados pontos importantes da filosofia indiana, que incluía já na época elementos do Brahmanismo e do Samkhya.

A mensagem co Cântico do Senhor Krishna é o equilíbrio entre a atividade religiosa e ética convencional e as metas ascéticas supramundanas. A substância da doutrina de Krishna transparece no seginte versículo:

“Perseverante no Yoga, ó Dhanamjaya, realiza ações, deixando de lado o apego e permanecendo sempre o mesmo no êxito e na ruína. O Yoga é chamado “equanimidade” – samatva.”  Cap2. v48.

Para alcançar a paz e a iluminação – diz-nos Krishna: ” Não é preciso abandonar o mundo e renunciar às proprias responsabilidades, mesmo quando elas nos forçam a entrar em batalha. A renúncia –samnyasa – à ação é boa em si, mas melhor ainda é a renúncia na ação. É esse o ideal hindu de “ação sem ação” ou inação na ação  ( naiskarmya-karman), fundamento do Karma Yoga. A vida no mundo e a vida espiritual não são, em princípio, inimigas; podem e devem ser cultivadas simultaneamente. Tal é a essência de uma vida plena e integrada.

A Bhagavagita é a essência do conhecimento védico da Índia e um dos maiores clássicos de filosofia e espiritualidade do mundo.

O segredo está na mente humana, origem primeira de toda a ação. Se a mente for pura, desapegada das obras, não poderá ser maculada por elas mesmo quando estiverem sendo realizadas. É o apego e não a ação enquanto tal, que põe em movimento a lei da causalidade moral ( karma ) que aprisiona o ser à roda da existência em sucessivos renascimentos. A mente polida como um espelho, revela as coisas exatamente como elas são – e o que elas são é a Divindade, o Si Mesmo. O Yogin perfeito goza perenemente dessa visão divina:

Aquele cujo “si” está jungido ao Yoga e que contempla em todas as partes a mesma coisa, vê o Si Mesmo em todos os seres e todos os sere no Si Mesmo.” (6.29).

Essa visão da igualdade ou identidade de todos os seres é o fruto do desapego consumado.

O Gita é constituído sobre a base ética do Mahabharata . A epopéia, num certo nível, é uma gigantesca tentativa de definir a natureza do dharma e do adharma.

A guerra na qual Arjuna lutou, seguindo os conselhos de Krishna, tinha por finalidade a conservação da ordem moral superior. O Gita representa os escrúpulos de Arjuna em lutar mesmo pelo que é evidentemente correto e lícito.Ao ver sues primos e os antigos mestres alinhados do lado oposto do campo, ele se dispõe a depor o arco e abdicar de suas pretensões ao trono, mas o Senhor Krishna lhe dá outras instruções. Seus ensinamentos yogues vão além do pacifismo e do belicismo, assim como vão além do preceito de cumprir os próprios deveres, por um lado, e do descuido das próprias obrigações, por outro. Isto porque, Krishna que que Arjuna vá além do campor moral.

Para Krishna, a obra yogue consiste essencialmente na conformação total da vida cotidiana da pessoa ao Ser Supremo. Tudo o que ele faz deve ser feito à luz da Divindade. A vida inteira deve transformar-se num Yoga contínuo. Com a mente mergulhada ni Supremo, permanecem ativos no mundo, levados pelo puro desejo de promover o bem-estar de todos os seres. É o conhecido ideal hindu do loka-samgraha, que significa literalmente “congregação do mundo”.

Fonte: Bhagava Gita  e a Tradição do Yoga de Georg Feuerstein- Ed. Pensamento -1998.

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