Sarasvati – Mitologia Hindu

Sarasvati é a divindade tutelar dos poetas, intelectuais, escritores e músicos. É a protetora das 64 artes, provedora dos caminhos da energia criativa e deusa doadora do discurso fluente e loquaz. Normalmente, aparece representada como uma harmoniosa jovem de quatro braços. Com duas de suas mãos, toca uma vina, com uma outra, sustenta um livro de folhas de palmeiras (representando os Vedas e o alfabeto sânscrito) e em outra mão, leva um colar de contas (Mala).

Conforme Swami Sivananda, Sarasvati é o poder da Shakti (principio feminino universal, Mãe divina) em seu espírito de perfeição e ordem. Ela seria a mais direta quanto à faculdade executiva e a mais próxima da natureza física, não lhe satisfazendo nada escasso de perfeição e estando pronta para enfrentar a eternidade do trabalho, se necessário para a plenitude de sua criação. É mãe diante das necessidades, amiga em nossas dificuldades, as nuvens de tristeza, irritação e depressão que nos envolvem.

Uma das expressões de Sarasvati é como Savitri. Nessa manifestação, ela tem o corpo dourado, sendo os olhos, as mãos e a língua feitos de ouro. Normalmente aparece correndo pelos céus em um carro puxado por cintilantes cavalos de patas brancas e realizando, com seus braços e mãos , gestos de bênçãos, infundindo a vida em todas as criaturas. Em sua qualidade de rainha dos céus, todos os deuses a seguem em busca da bênção da imortalidade. Savitri é a deusa responsável pelo principio de movimento que determina a irradiação da luz solar, a circulação das águas e dos ventos. É a padroeira das pratica mágicas dos sacerdotes e o principio de criação que tudo inspira e move. A ela, está dedicado o Gayatri Mantra, tido como o hino (Mantra) mais sagrado dos Vedas.

Na mitologia dos Vedas, Sarasvati aparece como um rio e, às vezes, como uma deidade que reina no plano aquático. Provavelmente o antigo e já desaparecido rio Sarasvati deve ter sido, para os primeiros hindus, o que o rio Ganges representa, hoje em dia, na Índia, símbolo da energia divina que vem dos céus para purificar a vida no plano terrestre. Numa mitologia posterior, a dos Puranas, é identificada a Vach, deusa da palavra e do discurso fluente, a qual se converteu, com nomes diferentes, na esposa de Brahma. Na mitologia grega, Sarasvati pode ser identificada a Minerva, deusa que tem como função proteger as artes, a ciência e a agricultura. Minerva surgiu da cabeça de Zeus e também recebe atributos por ser uma grande guerreira. Na Ilíada, essa deusa é vista como encarnação da sabedoria, da razão e da pureza divina.

Gayatri Mantrra- dedicado à Sarasvati : – Om Bhur Bhuva Svaha – Tat Savitur Varenyam – Bhargo Devasya Dhimahi – Dhiyoyo Naha Prachodayat. – “A energia primordial inunda a Terra e os Céus e tudo que se encontra no meio. Meditemos sobre sua irradiação; possa essa luz inspirar nossas mentes. Meditemos sobre a glória de Ishwari, a deusa a quem é justo adorar, que criou o universo, que é doadora de luz, de conhecimento e que destrói a ignorância. Que ela ilumine nossas mentes.”

Fontes: Mitologia Hindu- O Universo dos deuese e Mitos da Índia- Madras editora Ltda 2006. – ZIMMER, H. Mitos e símbolos na Arte e Civilização da Índia, p. 45 – JUNG, C. G. O Homem e seus Símbolos, p. 240 – SIVANANDA, S. Tantra Yoga, Nada Yoga, Kriya Yoga, p. 94-95

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