Surya – divindade dos Vedas

Surya, o Sol, é também filho de Aditi, o céu ilimitado e a mãe de todos os deuses. É representado como um homem de cor vermelha, com três olhos e quatro braços. Em duas de suas mãos, leva tochas; com a terceira, envia bênçãos (Abhaya Mudra) e com a quarta, faz um gesto de proteção (Vara Mudra). Às vezes, aparece sentado em uma flor de lótus de cor vermelha e seu corpo desprende raios de luz.

O Vishnu Purana40 oferece a seguinte lenda sobre Surya:

Surya contraiu matrimonio com Sanjna, filha do sábio Vishvakarma, com quem teve três filhos. Com o passar dos anos, Sanjna, não podendo mais resistir ao deslumbramento e á vaidade constante de seu marido, resolveu abandoná-lo, mas antes encarregou a sua sombra, Chaya, para que ficasse em seu lugar. Por muitos anos, Surya não deu conta da troca feita por sua esposa, mas um dia, em um ataque de ira, Chaya, pronunciou uma maldição contra Yama (deus da morte), um dos filhos de Sanjna, e a maldição surtiu efeito. Como Surya sabia que nenhuma maldição materna podia afetar um filho, ele quis saber o que havia ocorrido, descobrindo, assim, que sua esposa tinha abandonado o lar e deixado uma outra mulher em seu lugar.

Mediante o poder da meditação, Surya conseguiu descobrir que Sanjna estava vivendo em uma floresta sob a forma de uma égua. Com o objetivo de desfrutar novamente a companhia da esposa, Surya transformou-se em um garanhão e foi ao seu encontro. Com o passar de alguns anos, ambos cansaram-se da situação, adotaram novamente suas antigas formas e regressaram para o lar.

Para que a presença de Surya fosse suportável á sua esposa, seu sogro (Vishvakarma), que era o arquiteto dos deuses, fez com que descansasse seu brilho sobre uma pedra, dessa maneira, reduzindo seu esplendor a uma oitava parte. As outras partes de Surya, ocultadas na pedra, não foram desperdiçadas e delas foram produzidos o disco fazedor de milagres (Chakra) do deus Vishnu, o tridente (Trishula) do deus Shiva, as armas (o machado, Parasu; o bordão, Gada; o gancho, Ankusha) de Kartikeya, o senhor das guerras e a lança (Shula) de Kubera, guardião das riquezas celestes.

Surya, quando visto como um planeta, é denominado Ravi. No Brahmana Purana, também é descrito tendo doze aspectos diferentes, manifestados nos personagens de Indra, senhor dos deuses e destruidor dos inimigos dos Vedas;

Dhata, criador de todas as coisas; Parjanya, o que reside nas nuvens e com seus raios faz precipitar as chuvas na Terra; Tvashtar, o que reside em todas as formas corporais; Vishnu, o que se manifesta para destruir os inimigos dos deuses e preservar a existência; Pushan, o que outorga alimentos a todos os seres vivos; Aryama, o que permite terminar feliz todos os sacrifícios; Vivashvat, o que assegura a boa digestão; Asuman, o que conserva os órgãos do corpo em perfeita saúde; Varuna, o que reside no seio das águas e dá vida ao universo; Mitra, o que vive na orbita lunar para o bem dos três mundos; Bhaga, o que alegra com donativos, a todos os necessitados.

Traçando um paralelo entre a mitologia hindu e a grega, encontramos os doze deuses olímpicos41, filhos de Réia, constituindo uma família divina com características parecidas ás da família dos Aditias, filhos de Aditi. Essa semelhança pode nos sugerir a mesma fonte mítica para indianos e gregos. A primeira fonte mitológica da Grécia é a Ilíada de Homero, composta aproximadamente 1000 anos a.C. A primeira fonte mitológica da Índia encontra-se no Rig Veda, aproximadamente 1800 a.C. As primeiras famílias pastoris Aryas, conforme alguns autores que validam a teoria da invasão, entraram na Índia aproximadamente no segundo milênio antes de Cristo, período em que os aqueus – com quem estavam, de certo modo, aparentados e cuja a língua pertence ao mesmo grupo linguístico do sânscrito – chegavam ao território que, posteriormente, formaria a Grécia.

Mandala III, cap. 2 In: WILKINS. W. J. Mitologia Hindu,

Zeus, Posídon, Hades, Héstia, Hera, Ares, Atena, Apolo, Afrodite,Hermes, Artemisa e Hefesto.

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